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Professor de Agronomia da FIB e agricultores familiares analisam os impactos da pandemia para o setor

Em todo o país, a pandemia do novo coronavírus tem afetado de forma diferente os diversos segmentos, inclusive a agricultura familiar.





Por Selma Miranda


Em 25 de julho é celebrado o Dia Internacional da Agricultura Familiar. Esse tipo de cultivo é o principal responsável pela produção dos alimentos que são disponibilizados para o consumo da população brasileira. É constituída de pequenos produtores rurais, povos e comunidades tradicionais, assentados da reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas e pescadores, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Não se trata de uma agricultura voltada para exportação, mas sim voltada para o consumo interno. A gestão da propriedade é compartilhada pela família e a atividade produtiva agropecuária é a principal fonte geradora de renda.

Em todo o país, a pandemia do novo coronavírus tem afetado de forma diferente os diversos segmentos, inclusive a agricultura familiar. Qual a percepção dos pequenos produtores da região de Bauru diante deste momento de crise?

Juliana Monteiro da Silva trabalha no segmento de hortaliças e legumes em um sítio em Promissão (SP). A produtora fala sobre as adaptações que teve que fazer por causa da pandemia. "Tive que mudar muita coisa e uma delas foi buscar a diversidade nos produtos, trabalhar com produtos a granel e embalados, fazer entregas", afirma ela. "O que tem aumentado muito foram os pedidos para retirar na banca. Os clientes me mandam o que precisam um dia antes, eu separo e eles passam somente para pegar", complementa Juliana.

Para Eduardo Fraga Inojosa e Mayara Domingues Conceição, fundadores da empresa Bem Caipira (que vende ovos caipira e produtos de mercearia orgânica), o cenário de pandemia foi determinante para olharem com mais atenção para o mundo digital. "Estamos nos reinventando. É um grande desafio. Precisamos ter um olhar clínico para as mudanças de ambiente, bem como devemos analisar os anseios de nossos clientes. Esses dois fatores são determinantes no direcionamento da empresa", aponta Eduardo.

Já os sitiantes Keller Césio Gomes e sua esposa, Edilaine Aparecida Gomes viram as vendas aumentarem em plena pandemia. Eles trabalham com pecuária de leite e são os proprietários da "Gubin's Queijos e Doces Artesanais". "A pandemia não impactou nas minhas vendas, pelo contrário houve crescimento expressivo, talvez porque investimos pesado na divulgação e vendas", conta Keller. "Apenas mudamos o foco para delivery e em pequenos estabelecimentos, como açougues, padarias  e empórios", completa ele.

O professor do curso de Agronomia (conheça o curso) das Faculdades Integradas de Bauru (FIB) e consultor de agronegócios do Sebrae-SP, Marcelo Rondon Bezerra , reconhece que pandemia trouxe impactos positivos e negativos para diversos agricultores familiares da região, dependendo principalmente da atividade agrícola que é desenvolvida na propriedade.

"Agricultores familiares que entregam seus produtos para a merenda escolar foram os mais impactados, já que com as escolas paradas e sem esses pedidos não conseguiram escoar seus produtos, que estavam plantados focados no Programa Nacional de Alimentação Escolar", afirma o consultor.

A alternativa para atravessar esse momento, segundo o professor, deve levar em conta, principalmente, três fatores. "O agricultor familiar tem que sair da sua zona de conforto, plantar produtos diferentes, comercializar seus produtos para clientes que nunca teve como foco. Com isso, trabalhar a propriedade como uma empresa rural, tendo consequências porteira a dentro e porteira a fora, por exemplo aumentando o número de produtos plantados para viabilizar um delivery", aponta ele.

 

Políticas Públicas para os pequenos produtores

Embora os agricultores familiares sejam os responsáveis por mais de 70% dos alimentos que chegam à mesa da população, não são o foco principal de atenção das políticas públicas do setor. A economia brasileira é profundamente dependente das commodities, como soja, trigo e laranja. Elas correspondem a mais de 6,5% do PIB nacional e representam mais de 60% dos bens exportados.

Na perspectiva de Juliana (produtora de hortaliças), falta incentivo para o pequeno produtor rural. "Isso é em todos os sentidos. Eu  mesma trabalho com o meu próprio recurso, tira aqui, põe ali, e vai se virando", afirma ela. "Precisaria de um incentivo direcionado ao pequeno produtor com mais facilidade", destaca. A agricultora conta que o Sebrae tem contribuído para dar assistência nesse momento de pandemia. "Estão sendo fundamentais as orientações para o planejamento e tem me ajudado muito a diversificar os produtos", diz.

Já para Eduardo, que trabalha com ovos, as políticas públicas são ineficientes. "Elas acabam por não alcançar os produtores que mais precisam, são incipientes, não atingem necessariamente o âmago da questão", entende ele.

Keller (produtor de queijos) afirma que os recursos financeiros e técnicos  são disponíveis, "[...] o problema é  acesso para as famílias, que de forma geral são desprovidas de conhecimento. Falta divulgação das políticas públicas, o pequeno agricultor é desinformado", finaliza ele.

De acordo com Marcelo Rondon, a principal politica pública neste momento de pandemia que está motivando o agricultor familiar é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)  da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

 "O PAA comtemplou 100% dos projetos enviados em 2019 com os novos recursos e ainda receberam novos projetos em 2020 que estão aguardando a classificação e iniciar as entregas. Produtos que serão doados pelas associações e cooperativas dos agricultores familiares para famílias carentes e entidades sem fins lucrativos e reembolsados pelo governo", explica Marcelo.


 Eduardo Fraga Inojosa e Mayara Domingues Conceição, da empresa "Bem Caipira". No canto inferior esquerdo, Juliana Monteiro, agricultora familiar no segmento de hortaliças.


   Keller Césio Gomes e sua esposa, Edilaine Aparecida Gomes (da "Gubin's Queijos e Doces Artesanais"). Na direita, o professor da FIB  Marcelo Rondon.

 

 

 

 







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