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TRANSIÇÃO CAPILAR: PERÍODO MAIOR EM CASA PODE MOTIVAR A MUDANÇA

Várias famosas aderiram aos cabelos naturais. Professora da FIB conta como passou pelo processo durante a quarentena.





Por Selma Miranda


Transição capilar. A expressão se refere ao tempo de recuperação do formato original dos fios após serem submetidos a alisamentos e químicas por um determinado período. Além de evidenciar uma ruptura na perspectiva do cabelo liso como referência de beleza, o processo envolve autoconhecimento, aceitação e liberdade no exercício da própria identidade.

Várias famosas aderiram aos cabelos naturais e têm recebido apoio de seus seguidores- como Taís Araújo, Sheron Menezes, Iza, Vitória Falcão, Juliana Paes, Kéfera Buchmann e Brunna Gonçalves. No dia 18 de julho, a apresentadora teen Maisa mostrou o resultado de sua transição iniciado em junho de 2018. "Que alívio! Como é bom mudar", disse a artista, que tem 34 milhões de seguidores no Instagram.

A coordenadora do MBA em Marketing e Comunicação com Conteúdos Digitais das Faculdades Integradas de Bauru (FIB), professora Carina Nascimento, aproveitou o período de maior permanência em casa, por causa da pandemia, e resolveu fazer o processo de transição. Ela conta que começou alisar o cabelo ao 12 anos, para "estar no padrão que todos aceitariam".

Em  06 julho, logo após completar 39 anos, a docente  mostrou o resultado da mudança. Acompanhe abaixo a entrevista que fizemos com ela sobre todo o processo.

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Quando começou a alisar o cabelo e o que buscava ?

Carina Nascimento: Minha história com o alisamento começou muito cedo, na 5ª série, quando comecei a ouvir muitos xingamentos e "brincadeiras" que depreciavam a minha estética. Por conta disso, na minha cabeça, alisar o cabelo significava ser acolhida por um grupo, estar no padrão que todos aceitariam.

 

 Antes do processo de transição capilar, como cuidava do cabelo? 

CN: Antes da transição passei por vários métodos.  O primeiro foi um alisamento com pente quente, que minha mãe passava antes de ir para a escola. Aos 15 anos conheci a chapinha e fiquei com ela "pura" até os 20 anos. Dos 21 aos 28 anos combinei a chapinha  junto à química à base de guanidina e foi o início do fim – um dos piores momentos da minha vida. Em quase todo alisamento, meu couro cabeludo queimava muito e, infelizmente, em uma das manutenções meu couro chegou a sangrar, foi horrível. O alisamento para mim sempre foi uma relação de amor e ódio – amor, porque eu me sentia dentro do "padrão" e ódio porque doía muito.

Em 2009, aos 28 anos, meu cabelo sentiu o peso da combinação cruel (química + chapinha) e teve uma queda bem grande, foi quase tudo embora. Minha cabelereira na época, ficou bastante preocupada com a reação, e sugeriu que eu colocasse um megahair para "disfarçar as falhas" do cabelo. E assim, o fiz.

De 2010 a 2016 comecei a "tour" do mega hair. O primeiro mega tinha a técnica de microlink, onde as mechas de cabelo eram presas com um anel de aço na região próxima à raiz, com a desvantagem de que  à medida que a raiz crescia, era necessário fazer um retoque com química e com isso cabelo original ficava fraco e caía. A segunda técnica que utilizei foi  a de Tic-Tac, que consiste em usar presilhas que podem ser colocadas e tiradas a qualquer momento do cabelo. Em 2017, a terceira e última técnica foi a de entrelaçamento e nessa, meu cabelo ao contrário das demais técnicas, começou a crescer. Pela primeira vez, em 25 anos, meu cabelo crescia por inteiro, sem quedas expressivas. Todas as vezes que eu fazia a manutenção nessa técnica, eu via meu crespo crescendo, criando forma, textura e renascendo para mim. Foi o início da minha descoberta. Apesar de ter passado três anos com o entrelaçamento, alguma coisa dentro de mim dizia que estava na hora de me conhecer melhor e aceitar o meu cabelo crespo.

 

Quando decidiu que era hora de mudar e o que te motivou à transição?

CN:Por incrível que pareça, a quarentena contribuiu para que eu desse o primeiro passo.  Em abril deste ano, já fazia quatro meses que precisava fazer a manutenção do mega hair e  por causa da pandemia eu estava evitando sair. Foi quando numa manhã de sábado, eu me olhei no espelho e vi o meu crespo sobrepondo o mega hair e embaraçando tudo. Liguei para minha cabelereira pedi para ela tirar o alongamento. Na segunda-feira, me organizei e fui até lá para tirar o megahair. A minha ideia, no início, era só pra ver como ia ficar e logo depois, antes do início das aulas, colocar o mega hair novamente.

Minha primeira preocupação foi a reação do meu esposo, afinal ele nunca tinha me visto assim. Achei que ele fosse achar estranho, mas muito pelo contrário, ele meu deu muito apoio e ainda disse "Vê se fica com seu cabelo original, não coloca o outro não, você fica ainda mais linda assim". Confesso que essa fala dele me surpreendeu muito e confortou meu coração. No dia seguinte, mostrei a nova versão para familiares, amigos próximos e para minhas amigas-irmãs que fazem parte de um grupo de afeto, que foram as que mais incentivaram minha transição, compartilhando suas experiências comigo.

 

Conte um pouco sobre como foi seu processo de transição. Teve ansiedade, receio?

CN: Tive muito medo da reação das pessoas. Fiquei com medo de não ser aceita, de sofrer muito preconceito. Sabemos que, infelizmente, o cabelo crespo 4C, ainda é uma estética pouco aceita e trabalhada no universo da moda e comunicação midiática. Minha mãe, nos anos 70, teve que alisar o cabelo para conseguir uma vaga de emprego e várias amigas também o fizeram para serem aceitas em seus espaços.


 Como foi assumir essa nova identidade? Quem era aquele novo "eu" diante do espelho?

CN: Tinham dias que eu acordava segura, outros nem tanto, mas aos poucos eu fui conhecendo esse novo cabelo, essa nova textura, essa nova estética. Busquei estudar e compreender mais sobre a estética negra para seguir em frente, e mesmo tendo o apoio de quase todos, não foi fácil assumir essa nova identidade.

Hoje, quando eu me vejo no espelho, parece que tudo faz mais sentido, que tudo se encaixa. Parece que agora eu estou dentro do "quadrado" que sempre me pertenceu. Foi uma libertação.

 

Quais seus conselhos para outras mulheres que desejam fazer  a transição capilar?

CN: Acredito que cada uma deve respeitar o seu próprio tempo. Não existe um tempo certo ou errado para isso. Caso a mulher se sinta segura ou confortável, o importante é fazer, sem se prender a modismos ou tendências passageiras. Precisa ser uma decisão natural, pois é um processo longo, complexo, desafiador e que requer bastante paciência. Além disso, creio que fazer a transição, assumir os fios crespos de qualquer curvatura é super relevante para que possamos inspirar as próximas gerações. É muito importante que meninas e mulheres mais jovens tenham orgulho do seu cabelo e não agridam sua estrutura capilar apenas para atender a um padrão estético. Nosso cabelo é a nossa coroa e temos que cuidar muito bem dela.  

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Professora Carina Nascimento. Antes e depois da transição.

 



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Professora Carina Nascimento Apresentadora Maisa apresentou o resultado de sua transição em 18 de julho (foto: reprodução Instagram)




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