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Covid-19: Você sabe a diferença entre os exames RT-PCR e o sorológico?

A coordenadora do curso de Biomedicina da FIB explica como são realizados os dois exames mais comuns relacionados ao diagnóstico da Covid-19 e a finalidade de cada um.





Por Selma Miranda


De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os coronavírus são uma grande família de vírus que podem causar doenças em animais e humanos. O novo coronavírus foi assim chamado pois não havia sido identificado anteriormente- foi descoberto em 31/12/2019, após casos registrados na China.

A Covid-19, então, é uma doença causada pelo coronavírus, denominado SARS-CoV-2, que apresenta um espectro clínico variando de infecções assintomáticas a quadros graves.

A Universidade Johns Hopkins, em Maryland, nos Estados Unidos, dispõe de mapa mundi (acesse aqui) que atualiza em tempo real os novos casos confirmados da Covid-19 e as mortes.  Neste 24 de agosto, o mapa aponta o Brasil como o 2° país do mundo com maior número de casos da doença (3.605.783)  e também o 2° em número de mortes (114.744)- atrás apenas dos Estados Unidos.

Os exames diagnósticos são uma das principais recomendações da OMS para controlar a disseminação do novo coronavírus. No dia 21 de agosto, um levantamento exclusivo do G1 (veja aqui) junto às secretarias estaduais de saúde mostrou que o Brasil fez quase 11 milhões de testes de Covid-19 desde o início da pandemia, mas apenas 38% deles são do tipo RT-PCR  e 68% foram do tipo sorológico.

Mas qual a diferença entre os dois tipos? O que cada um deles mostra? Nós conversamos com a coordenadora do curso de Biomedicina das Faculdades Integradas de Bauru (FIB), professora Ana Paula Battochio, para entender melhor a finalidade do RT-PCR e do sorológico. Acompanhe. 

***

FIB: Quais são os exames mais comuns relacionados à detecção da Covid-19?

Ana Paula Battochio: Para o diagnóstico laboratorial da Covid-19, emprega-se dois principais exames: a) sorológicos (pelo sangue): teste rápido e b) exames moleculares (pela secreção da nasofaringe): Técnicas de RT-PCR. 

 

O que é o RT-PCR e como ele é feito?

APB: O RT-PCR vem de Reverse Transcription - Polymerase Chain Reaction. É um teste de Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa em tempo real que verifica a presença de material genético do vírus, confirmando que a pessoa se encontra com a Covid-19. É um teste molecular para detecção do material genético do vírus (RNA do SARS-CoV-2). É considerado padrão ouro por ser o mais preciso e por isso indicado pela OMS como definidor para diagnóstico da Covid-19.

Para a realização do teste é necessário a coleta de amostras biológicas da nasofaringe de pacientes que apresentam sintomas, característico para a Covid-19, até o 7° dia. Utiliza-se a introdução de um swab pela cavidade nasal e em seguida o mesmo é inserido em uma solução fisiológica estéril e posterior análise molecular.

Exame RT-PCR


O que são os testes rápidos e como eles funcionam? Por que eles também podem ser chamados de sorológicos?

APB: O teste rápido representa o principal exame empregado no diagnóstico da Covid-19. Embora apresente menor sensibilidade e especificiadade em relação ao RT-PCR, seus valores são mais acessíveis, de fácil execução e interpretação dos resultados que variam entre 15 a 30 minutos. Ele detecta anticorpos IgG, IgM produzidos pelo organismo em resposta ao vírus em amostra de sangue, por isso chamado de sorológico.

A técnica empregada nestes testes é conhecida por imunocromatografia, que consiste em um case com um papel de nitrocelulose que age com a amostra de sangue a partir de uma reação química entre antígeno (substância estranha ao organismo) e anticorpos (moléculas de defesa produzida a partir do leucócito, Linfócito B). Os resultados ocorrem por meio de indicação visual.

Exame sorológico (teste rápido)

 


Quando o RT-PCR é recomendado?

APB: O PCR pode diagnosticar precocemente a doença, porque já aponta a presença do vírus no início dos sintomas ou da doença, a partir 2º  ao 15º dia.

 
Quando o teste rápido é recomendado?

APB: A indicação para a detecção de anticorpos no sangue são para estágios mais avançados da doença, entre o 10º ao 30º dia de infecção  (paciente já não apresenta mais os sintomas, porém os anticorpos se mantêm presentes).

 

O teste rápido têm função de diagnóstico (confirmação ou descarte) de infecção por Covid-19?

APB: Os testes rápidos podem auxiliar na triagem ou rastreio, garantindo uma resposta rápida e emergencial dos prováveis casos de infecção em uma população. Desta forma a tomada de decisão frente ao isolamento social do indivíduo evitando uma disseminação ainda maior da doença. Embora o teste rápido ofereça vantagens,  sempre que o resultado for positivo será necessário a realização de um teste confirmatório, como o molecular RT-PCR.

 

Falsos negativos e falsos positivos podem acontecer?

APB: Podem sim. O teste rápido tem uma probabilidade significativa de apresentar um falso negativo (IgM - e IgG -), pois o paciente pode estar no período de janela imunológica (ainda não produziu os anticorpos) deste modo, não detectado.

No RT-PCR também pode ocorrer o risco de resultados falso-negativos. Já foi reportado que mesmo em paciente apresentando aspectos clínicos compatíveis com a infecção pelo CoV-2 o teste molecular deu negativo. Assim, o resultado não pode excluir a possibilidade de infecção e deve ser analisado juntamente com os aspectos clínicos do paciente e exames de imagens.

Fatores como a qualidade do material para a coleta e o tempo de transporte até o laboratório também podem contribuir para falsos resultados. O material deve ser estéril e de boa qualidade assim como a amostra coletada deve ser apropriadamente acondicionada (4°C) e transportada ao laboratório o mais rápido possível. Essas medidas impedem a degradação do material genético viral, o que pode levar ao resultado falso-negativo e ainda contaminações que podem levar ao resultado falso positivo.

 

Onde cada um dos exames podem ser feitos? Em laboratórios, farmácias?

APB: O RT-PCR: em laboratórios Clínicos credenciados ao Instituto Adolfo Lutz.

Os testes rápidos: em laboratórios Clínicos, Farmácias, unidades de Saúde e em postos de campanhas.

 

Os testes rápidos são de uso profissional?

APB: Sim. Pois exige competência e habilidade na leitura, interpretação e liberação do resultado.

 

Qual a importância do biomédico na análise desses exames?

APB: Durante a essa pandemia os biomédicos têm chamado muito a atenção na linha de frente dessa batalha, pois somos os responsáveis pelo diagnóstico da doença. Estamos nos hospitais, nos laboratórios realizando o todas técnicas e procedimentos do exame confirmatório da doença, o RT-PCR, e também os testes rápidos.

Além da parte laboratorial, estamos atuando também nos exames de imagem, como a tomografia computadorizada em pacientes de caso grave. E temos ainda os que atuam na pesquisa científica, principalmente para o descobrimento de vacina. Ou seja, nossa classe está extremamente envolvida no combate ao coronavírus e o melhor, totalmente prepara para contribuir com os demais profissionais da área da saúde.

No Brasil, dois biomédicos foram os responsáveis pelo mapeamento do genoma do coronavírus. Jaqueline Goes de Jesus e Claudio Tavares Sacchi coordenaram a equipe de cientistas que publicaram a sequência do vírus em apenas dois dias após o primeiro caso do novo coronavírus ter sido confirmado no país. Estamos ajudando a população e também precisamos que ela nos ajude a diminuir os danos dessa pandemia.



Galeria de fotos

Teste sorológico Professora Ana Paula Battochio com o resultado de um teste sorológico em mãos Exame RT-PCR




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