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Bauruense cadastrada em campanha da FIB faz doação de medula óssea para paciente em Recife

Giovanna Venarusso Crosara participou da campanha promovida pelo curso de Biomedicina da FIB em 2016. Quatro anos depois, ela recebeu uma ligação do REDOME.






Por Selma Miranda


Fevereiro é o mês dedicado à conscientização para o diagnóstico precoce e tratamento da leucemia, ressaltando a importância da doação de medula óssea. No estado de São Paulo, a campanha "Fevereiro Laranja" foi instituída pela Lei Nº 17.207, de 12 novembro  de 2019.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a medula óssea, encontrada no interior dos ossos, contém as células-tronco hematopoéticas que produzem os componentes do sangue, incluindo as hemácias ou glóbulos vermelhos, os leucócitos ou glóbulos brancos que são parte do sistema de defesa do nosso organismo, e as plaquetas, responsáveis pela coagulação.

A leucemia é justamente uma doença maligna dos glóbulos brancos (leucócitos), que passam a se reproduzir de forma e velocidade desordenadas, prejudicando suas funções de defender o organismo e produzir outras células sanguíneas. Geralmente é de origem não conhecida, mas em alguns casos relaciona-se com alterações genéticas.

O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para algumas doenças que afetam as células do sangue, como as leucemias e os linfomas. Consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais da medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula saudável. Essas são as células substituídas no transplante de medula.

Nesse mês de combate à leucemia, vamos contar a história de  Giovanna Venarusso Crosara.  A bauruense de 24 anos passou por uma das experiências mais marcantes de sua vida em 25 de janeiro deste ano. Tudo começou  em 15 de agosto de 2016, quando ela leu uma notícia no Jornal da Cidade de Bauru que falava sobre uma campanha de doação de sangue e de cadastro no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) promovida pelo curso de Biomedicina das Faculdades Integradas de Bauru (FIB).

Uma ou duas vezes por ano, o curso, em parceria com o Hemonúcleo Regional de Jaú (unidade do Hospital Amaral Carvalho),  convida alunos, professores e pessoas da comunidade  a doarem sangue e se cadastrarem como doadores de medula.

Em 16 de agosto de 2016, Giovanna veio até a FIB fazer seu cadastro como doadora de medula para o REDOME. Ela nem imaginava que aquele pequeno, mas significativo gesto, quatro anos depois, salvaria a vida de uma pessoa.

Em outubro de 2020, um representante do REDOME entrou em contato com a jovem para informar sobre a possibilidade dela ser compatível com um (a) paciente.

O restante desta história a própria Giovanna irá contar. Leia abaixo a entrevista que fizemos com ela.

***

 

Quando foi chamada para fazer a doação? Como foi sua reação?

Giovanna Venarusso Crosara: Fui chamada por telefone, depois de quatro anos cadastrada, em outubro de 2020. O REDOME me ligou informando que surgiu a possibilidade de eu e um(a) paciente sermos compatíveis. Foram feitas várias perguntas sobre meus dados, meu histórico familiar, minha saúde, sobre cirurgias anteriores, sobre como foi esse cadastro e quando foi, etc. Me informaram que eu precisava ir até um hemocentro pra tirar mais uma amostra de sangue pra confirmarem a compatibilidade. Eu fiquei feliz, extasiada, porque jamais imaginei vivenciar isso. Fiquei muito na expectativa.  Após essa ligação, fiz os procedimentos solicitados e me ligaram novamente no fim de dezembro pra informar que eu realmente era 100% compatível e me convidarem a fazer a doação.  As pessoas que me ligaram  sempre perguntavam se eu queria prosseguir, e eu sempre quis, nunca pensei em desistir. Durante todo o processo fiquei muito animada e feliz por vivenciar tudo isso e torcia muito pela pessoa que estaria recebendo.

 

 

 

E sua família, como reagiu?

GVC: Algumas pessoas vibraram muito, outras ficaram com medo, questionavam etc. Mas entendo que era por falta de informação, porque depois que acompanharam de perto todo o processo, já mudaram sua forma de pensar.

 

Você teve quanto tempo para pensar se iria aceitar ser a doadora?

GVC: O REDOME sempre me perguntou durante as ligações se eu gostaria de prosseguir, se eu ainda tinha vontade de ser doadora e, até mesmo quando fui fazer os exames e conversar com o médico, ele explicou novamente que era uma escolha minha, que eu não era obrigada a nada, que era um ato totalmente voluntário e que eu poderia desistir em qualquer momento. A única coisa que ele me pediu foi: se eu pensasse em desistir, para tentar não fazer isso uma semana antes do procedimento, que é quando o paciente começa a ser preparado pra receber a medula. Mas como eu nunca pensei em desistir da doação, com todos que eu conversava durante o processo eu sempre  confirmava que  realmente gostaria de seguir com a doação.

 

Você teve detalhes sobre quem seria a pessoa que receberia sua doação?

GVC: Não. E deixaram claro que nós só poderíamos nos conhecer após um ano meio da doação, se ambos quisessem.

 

Como foi a preparação para o processo de doação?

GVC: Fizeram várias entrevistas comigo durante todo o processo e depois da confirmação da compatibilidade, o REDOME entrou em contato pra organizar como os exames e a doação ocorreriam. A doação seria em Recife [capital do estado de Pernambuco], então eu teria que ir pra lá fazer exames e conversar com o médico, depois voltaria para internar e fazer a doação da medula.

No contato com o REDOME no fim de dezembro, me propuseram fazer os exames dia 11/01/21 e doação dia 25/01/21, eu aceitei na hora. Conversei com as pessoas que pensei pra me acompanharem e consegui que minha mãe fosse nos exames e uma amiga fosse me acompanhar na doação. Por telefone, combinamos sobre horários de vôos, conexões, passagens,  hospedagem, alimentação, transporte, etc, com todas as despesas custeadas pelo REDOME.

No dia 10/01 embarcamos pra Recife e no dia seguinte fui com a minha mãe até o hospital, fiz exames de sangue, eletro, raio-x e conversei com o médico, que nos explicou tudo detalhadamente sobre como ocorreria o procedimento e tirou nossas dúvidas. Dia 12/01 voltamos pra casa e dia 23/01 embarquei novamente pra Recife com minha amiga, pois no dia seguinte já iria internar para a doação ocorrer dia 25. 

Internei na manhã do dia 24/01, fiz mais exames de sangue, tomografia e teste de Covid-19. Tomei uma injeção pra estimular minha medula e ter células o suficiente pra doação, o que me rendeu algumas dores depois, mas que passaram logo que  tomei remédio após informar às enfermeiras. Essa foi a única "preparação" que precisei fazer, além do jejum no dia anterior à doação, então não tive que mudar nenhum hábito durante o processo.

Na manhã do dia 25, a equipe me orientou a me preparar e aguardar virem me buscar. Enquanto eu aguardava conversei com a anestesista sobre a melhor anestesia no meu caso. De início, seria utilizada a raquianestesia, mas devido a uma experiência ruim que tive com ela em outra cirurgia, foi resolvido utilizar a anestesia geral. Minha conversa com ela é a última coisa que me lembro, pois ela me deu um sedativo que agiu bem rápido. Minha única preocupação nesse processo todo era sentir alguma dor na hora da doação, mas depois disso só acordei na sala de recuperação então não vi nada.

 

Qual foi a data exata da doação e como foi feito o procedimento?

GVC: A data foi dia 25 de janeiro deste ano.  O procedimento foi realizado através de punções no osso do quadril, com uma agulha de cada lado.

 

Como se sentiu quando acordou? O que pensou?

GVC: Quando acordei ainda fiquei um tempo sonolenta, senti fraqueza e muita sede. Sentia o local do procedimento dolorido, o que já era esperado. Mas assim que informei à equipe eles me medicaram e a dor passou, e só assim eles me levaram de volta pro quarto. Quando acordei, foi como se um objetivo tivesse sido cumprido, já que as expectativas para esse momento já vinham de meses anteriores.

 

E sua recuperação, foi rápida?

GVC: Muito! No dia seguinte fui à praia, em frente ao hotel onde estava hospedada, mas com cuidado, claro.

Depois da doação, o doador fica no hospital por 24 horas em observação, então fiquei por lá e tive alta logo após o almoço. Fiquei com a minha movimentação e locomoção limitada, porém o tempo todo tive assistência, principalmente nos aeroportos e nos voos de volta para casa, que ocorreram dois dias após a doação. A orientação do médico foi evitar fazer esforços e pegar peso nos dias após o procedimento e tomar reposição de ferro por 30 dias. Então tive auxílio em casa nos primeiros dias depois que retornei. Acho importante dizer que durante todo esse processo não senti nada insuportável ou que incomodasse muito, apenas desconfortos e algumas dores dentro do esperado conforme minha conversa com o médico.

 

Como foi vivenciar toda essa experiência? Como ela mexeu com sua vida?

GVC: Incrível. Eu pensava o tempo todo quem era a pessoa que recebeu minha medula, quem tinha feito eu ir até Recife e viver tudo isso...conversei com muitas pessoas e até postei nas minhas redes sociais um relato dessa experiência, pois se compartilhando ela eu conseguir fazer com que alguém se cadastre, já é mais esperança na vida de quem está na fila aguardando alguém compatível.

 

O que gostaria de  dizer para as pessoas que têm dúvidas ou medo de ser um doador de medula óssea?

GVC: Quando bateu o nervoso na hora, ou quando eu sentia um pouco de dor, eu sempre pensava que a pessoa que estivesse recebendo a medula provavelmente teria passado por momentos muito mais complicados do que isso. Penso que me coloquei em risco maiores em outras situações da minha vida por tantos outros motivos...então porque não doaria? E então, porque não ser um doador?

O medo é real, principalmente pela falta de informação, ouvi comentários bizarros durante esse processo justamente por isso, mas há formas de solucionarem as dúvidas. Como a doação de medula não é algo que se divulga detalhadamente, as pessoas podem ter algumas opiniões que às  vezes não condizem com a realidade. Por isso, é  importante que busquem informações confiáveis, como no site do REDOME. Deixo aqui, para  finalizar, palavras que o próprio médico me disse: "é um procedimento rápido,  seguro e pode ajudar muito no tratamento de quem está precisando".




Seja um doador 

O cadastro de doadores voluntários no REDOME é realizado nos hemocentros de todo o país que podem, ainda, organizar campanhas em diferentes locais. Os interessados devem procurar um hemocentro para obter informações sobre os procedimentos. O Hemonúcleo de Bauru fica na rua Monsenhor Claro 8-88.  O telefone para contato é (14) 3231-4771.

Para o cadastramento, o doador deve apresentar um documento original de identidade e preencher um formulário com suas informações pessoais. Além disso, será necessária a coleta de uma amostra de sangue (5 ml) para testes de tipificação HLA – fundamental para a compatibilidade do transplante.

Estes dados serão incluídos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) e, em caso de identificação de compatibilidade com um paciente, o doador será contatado para realizar outros testes.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, para se tornar um doador de medula óssea é necessário:


- Ter entre 18 e 55 anos de idade;

- Estar em bom estado de saúde;

- Não ter doença infecciosa transmissível pelo sangue (como infecção pelo HIV ou hepatite);

– Não apresentar história de doença neoplásica (câncer), hematológica ou autoimune (como lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide).


Saiba mais sobre a doação de medula óssea no site do INCA







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