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O que é ECMO? Perfusionista da Unicamp explica:somente biomédicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, biólogos e médicos podem operar o equipamento

A complexidade da ECMO exige uma equipe de UTI bem qualificada para prestar atendimento a pacientes graves. O uso do procedimento é limitado a centros especializados.




Por Selma Miranda


Um procedimento no tratamento da Covid-19 ganhou  a atenção dos brasileiros desde o começo deste mês.

No dia 2 de abril, o ator e humorista Paulo Gustavo, internado com a doença desde 13 de março,  começou a passar pela técnica da ECMO (Assistência Circulatória com Membrana Extracorpórea). A sigla vem do Inglês  Extra Corporeal Membrane Oxygenator.

De acordo com o Ministério da Saúde, o suporte de vida extracorpóreo ou oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) é uma modalidade terapêutica que possibilita suporte temporário diante da falência pulmonar e/ou cardíaca do paciente quando o tratamento clínico convencional não é satisfatório.

As diretrizes provisórias da Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendam oferecer oxigenação por ECMO a pacientes elegíveis com síndrome do desconforto respiratório agudo relacionada à Covid-19. A utilização do equipamento é recomendada pela OMS em casos de hipoxemia (redução das taxas de oxigênio no sangue) refratária e apenas em centros especializados que contem com uma equipe capacitada para a utilização do equipamento.

Nós conversamos com o biomédico Daniel Allen Queiroz Rocha. Ele é especialista em circulação extracorpórea pela Unicamp, titulado pela Sociedade Brasileira de Circulação Extracorpórea (SBCEC ), mestrando em Fisiopatologia médica e  perfusionista do Hospital de Clínicas da Unicamp.

Faz parte das atividades de um perfusionista preparar e auxiliar na instalação e manutenção do procedimento de ECMO, em parceria com a equipe cirúrgica.

 

FIB: Quando o uso da ECMO  é recomendado?

Daniel Allen Queiroz Rocha: A ECMO é indicada para pacientes com algum tipo de insuficiência cardíaca, pulmonar ou ambas. Existe a ECMO que dá assistência circulatória, ajudando o coração a bombear o sangue além de oxigenar. Essa ECMO chamamos de venoarterial, pois ele drena o sangue do sistema venoso e retorna o sangue oxigenado no sistema arterial, dando um alívio ao coração e pulmão doente.

O tipo de ECMO que está em destaque no momento é  denominado venovenoso. Ele fornece uma assistência respiratória. O sangue é drenado do sistema venoso e devolvido ainda no sistema venoso, enquanto o pulmão esta em um ventilador mecânico com parâmetros mínimos para dar uma maior chance de recuperação dos pulmões. A função circulatória nesse tipo de ECMO é feita pelo próprio paciente, já que seu coração está saudável.

Muitas pessoas leigas no assunto se confundem e acham que a ECMO vai curar o paciente, mas não. A ECMO oferece uma assistência, auxilia a  função do órgão doente e alivia o seu trabalho, dando mais tempo e maiores chances de recuperação. Ou seja, a ECMO dá um tempo ao paciente para se recuperar, um tempo que o mesmo não teria com as injúrias do seu órgão. Por isso a ECMO  deve ser indicada apenas a pacientes que tem chance de recuperação.

 

Qual profissional é o responsável por operar o equipamento da ECMO?

Daniel: O perfusionista. Apesar de toda a estratégia da técnica ser multidisciplinar. A perfusão somente pode ser exercida por profissionais com formação de nível superior em Biomedicina, Biologia, Enfermagem, Farmácia,  Fisioterapia e Medicina. Além disso, é necessário fazer uma especialização em Circulação Extracorpórea.

O profissional pode se especializar fazendo cursos reconhecidos pela Sociedade Brasileira de Circulação extracorpórea (SBCEC) e após formado no curso, fazer uma prova para receber o título ou fazer uma pós com reconhecimento do MEC. É extremamente indicado que o profissional, mesmo tendo feito um curso reconhecido pelo MEC, realize a prova da SBCEC, pois além de ser a maior instituição da área, muitos hospitais e concursos exigem esse título para exercer a profissão.

 

O SUS costuma contar com este equipamento?

Daniel: Esse equipamento é bastante utilizado na rede privada, principalmente em pacientes cardiopatas, ou em pós-operatório cardíaco. No SUS, o acesso à ECMO é raro, pois é um equipamento de alto custo financeiro, dificilmente  autorizado pelo Sistema Único de Saúde.

 

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Na esquerda, foto de um aparelho de ECMO (fonte: CRBM 5ª região) e do ator  Paulo Gustavo. Na direita, Daniel Queiroz Rocha, perfusionista da Unicamp.



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